Quando eu entrei no mercado de web a única coisa que eu me importava era entender como todo esse lance de programação funcionava.

Eu não tinha pretensão nenhuma em ser um ninja-rockstar-whatever nessa área. Eu só gostava de estudar e depois compartilhar o que eu aprendia. Simples assim.

Seguindo a máxima de que você só aprende de verdade quando ensina, resolvi num belo dia submeter uma palestra pra um evento pequeno em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Por algum motivo maluco eles aceitaram a proposta e, a partir daquele momento, minha carreira mudou completamente. E mudou não porque subir num palco te faz o cara mais esperto do mundo.

Mudou porque eu vi que era possível usar minha profissão para fazer mais do que sentar e olhar para um computador o dia inteiro. Eu vi que o simples ato de botar a cara pra bater, podia influenciar drasticamente a vida de outras pessoas.

Prêmio melhor-qualquer-coisa-do-ano? Isso é distração pra alimentar o ego do mercado. Mudar a vida de alguém, isso sim é o que conta no fim do dia.

People will forget what you said, people will forget what you did, but people will never forget how you made them feel — Maya Angelou

Uma palestra foi puxando a outra, um evento foi puxando o outro, uma cidade foi puxando a outra. De repente, eu tava rodando o mundo para falar sobre web.

Isso, claro, vem com um preço. Um preço bem caro, diga-se de passagem. Um preço que a maioria das pessoas não está dispostas a pagar.

Muita gente me inspirou a ser um profissional melhor nesse meio tempo. Por isso que eu discordo quando dizem “queime seus ídolos”. Na verdade, ter ídolos faz parte da natureza humana e não tem nada errado com isso. O que é errado é colocar esses ídolos em um pedestal. Pode parecer o maior clichê do mundo, mas sim esses ídolos são pessoas iguais a você.

Lembre-se sempre: popularidade é diferente de competência. Só porque alguém é referência em determinada área, não quer dizer que essa pessoa é melhor tecnicamente que você. De novo, pode parecer clichê mas a gente esquece disso o tempo todo.

Men often become what they believe themselves to be. If I believe I cannot do something, it makes me incapable of doing it. But when I believe I can, then I acquire the ability to do it even if I didn’t have it in the beginning — Gandhi

Auto-promoção não é uma coisa ruim. Não tem nada de errado em ter orgulho e querer mostrar o seu trabalho pro mundo. Se vender é um mal necessário, quanto antes você entender isso, melhor.

O que acontece são profissionais mais antigos no mercado querendo cortar as asinhas dos mais novos pelo medo de terem seus lugares tomados. Por isso, meu conselho pra você que está começando agora e pode estar tendo seu trabalho mais exposto é: não se contamine e mantenha o foco.

Your life is your message to the world. Make sure it’s inspiring.

Hoje eu vejo que ser referência em uma área é sim uma merda. As pessoas vão te provocar a todo momento e o pior, vão te julgar sem conhecer absolutamente nada da sua história.

O lance é estar focado, não alimentar os trolls ou se deixar levar por babaquices. Se você conseguir usar essa popularidade para inspirar outras pessoas com coisas positivas, isso vai fazer cada segundo valer a pena.

Não tem nada a ver com ser famoso, não tem nada a ver com ser estrelinha. Tem a ver com fazer seu trabalho bem feito e inspirar os outros a correr atrás de algo melhor.